
Sobre
a caminhada
Escrevo a partir de uma travessia.
Durante muitos anos, minha vida pública esteve ligada ao trabalho, às organizações, à educação, à inovação, aos livros de negócios, às aulas, às empresas, às viagens, aos projetos. Esse caminho existe. Ele me formou. Mas não explica tudo.
Antes dele, havia outra coisa.
Havia o menino que observava o mundo como se cada imagem escondesse uma pergunta. Havia o jovem que encontrou na arte, na Itália, nos livros, nas cidades e nos silêncios uma forma de escutar aquilo que nem sempre cabe na linguagem. Havia também o adulto que, mesmo cercado de projetos, continuava sentindo que a vida não podia ser reduzida à eficiência, à carreira, à reputação ou ao medo.
A Caminhada nasceu desse lugar.
Não como um método. Não como uma escola. Não como uma resposta. Nasceu como uma tentativa de permanecer fiel às perguntas que continuavam acesas: o que nos chama? O que nos atravessa? O que fazemos com a luz que ainda não sabemos nomear?
Sou Victor Megido.
Mas, aqui, sou apenas alguém que continua caminhando.

A Caminhada
A Caminhada nasce desse chamado: o desejo de compreender melhor os sinais, as escolhas, os medos, a beleza e as perguntas que atravessam a existência.

Nas grandes travessias, a natureza ensina que a experiência não é apenas ter vivido. É reconhecer os sinais do caminho.
A matriarca dos elefantes sabe, mesmo na exaustão da savana, quando a fonte de água está próxima. Ela conduz o grupo a um último esforço. Nem todos resistem. Alguns se perdem antes de chegar.
Também na vida, muitas vezes desistimos quando a fonte já está perto.
Caminhar é aprender a resistir à sede, ao medo e ao cansaço. É continuar quando ainda não vemos a água, mas já começamos a pressentir sua presença.